segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Um ano novo cheio de esperança para você!

Se tem uma postagem que estou ensaiando há tempos para publicar aqui, essa seria sobre Chico Mendes. Confesso que continuarei ensaiando por muito tempo ainda haja vista o meu despreparo para falar deste grande homem.




Na verdade, eu poderia falar de outras pessoas que admiro como Carlos Drummond Andrade, ou Chico Buarque de Holanda, por exemplo, mas falar de Chico Mendes me intimida. Talvez seja porque sua historia mexeu comigo quando eu era criança.




Outro dia eu vi um documentário sobre ele na Discovery Channel, emocionada, decidi escrever mesmo não sabendo o que escrever, até mesmo porque quando penso em publicar uma mensagem para 2009, logo me vem a mente os termos, esperança, sonhos, lutas, ideais. Percebi, então, que para mim, pela minha historia de vida, das coisas que aprendi, li, assisti, e que ouvi, seja em casa, escola, ou através dos meios de comunicação, um exemplo que tenho guardado em minha mente desde criança que espelha todos estes termos é FRANCISCO ALVES MENDES FILHO.

Desde menina as imagens de Chico Mendes me chamavam a atenção. Enquanto crescia, ia entendendo que ele era muito mais do que um homem bonzinho, o que para muitos naquela época era só o papai noel.




Eu via as pessoas assistindo filmes, ou finais de novelas e ficarem emocionadas ou abaladas com determinadas cenas, e o que realmente me deixava assim era quando via algo sobre Chico Mendes na televisão, a morte dele me deixava triste. Acho que na época eu achava que o seu trabalho, a sua causa tinha que ter um final feliz, não porque a Branca de Neve , a Cinderela e seja lá quem for tiveram, mas porque mesmo sendo muito nova, mesmo não entendo muito eu sabia que aquilo era injusto. Eu via esperança no seu sorriso, eu via sonhos, e via fé em realiza-los, fé nas pessoas! E sabe de uma coisa, eu ainda vejo.




Quando se lê os jornais, ou se vê noticias enfocando corrupção, tanta desigualdade social, discriminação, crianças miseráveis varrendo farelo de alimentos daqueles caminhões de abastecimento às famílias carentes e ao mesmo tempo deputados escondendo dinheiro na cueca, e tanta coisa, meu DEUS, tanta coisa, é lógico que qualquer ser humano ficaria desmotivado com esse país. Mas quando penso naquele extrativista, que iniciou sua luta pela autonomia dos seringueiros, foi galgando degraus de conquistas políticas e sociais apesar de ter sido perseguido, torturado e morto, volto a ter esperança. Seu projeto continua, assim como está escrito no site do comitê Chico Mendes: Ele vive! Ele vive porque nunca perdeu sua fé, nunca deixou de crer naquilo que realmente acreditava mesmo que o preço a ser pago fosse alto demais. Passaram-se vinte anos e ele não caiu no esquecimento, suas idéias continuam vivas.




É isso que desejo a todos vocês nesse ano que se aproxima, que cada um de nós nunca percamos a capacidade de acreditar, de ter ideais, de crer neles apesar das circunstancias, que possamos ligar a TV não para assistir baixarias mas que possamos dar audiência àquilo que realmente nos edifica, que nos ajude a crer sempre no num futuro melhor para o nosso país. E, como profissionais de comunicação, possamos sempre nos empenhar para isso, nem que dure dois, oito, dez, vinte anos!



Feliz 2009!

Sofrimento

Vou fazer aqui uma colagem básica. E daí?!


Estava passando por um momento difícil e meu grande amigo me encaminhou um texto do Padre Fábio de Melo. Também não sou católica, e daí?!


Admiro muito o trabalho dele e o texto em questão, me fez refletir não apenas sobre o conteúdo em si, que por sinal é muito edificante, mas também por uma das coisas mais preciosas que devemos cultivar: a amizade. É tão bom falar com alguém, desabafar com alguém que confiamos, que chora com a gente, e que às vezes pode não saber o que dizer, mas encaminham mensagens de consolo. Isso parece patético, e daí?!
Acredito que nunca se deve subestimar o valor de uma verdadeira amizade, principalmente
quando lembro daqueles que fingiram ser amigos por algum interesse etc. O texto não tem nada a ver com o meu blog, ok, e daí?!
Nem sei ao certo quem o acessa, muitos são grandes amigos meus, mas outros nem conheço, portanto, abaixo está um texto para você, que acabou de entrar aqui, sendo amigo meu ou não, fiz um “ctrl+c” “ctrl+v” básico e com muito carinho para você. Claro, tendo a consciência de que todos os direitos estão reservados ao autor, Padre Fábio de Melo”, que publicou este texto no site da Canção Nova cujo o link especificado abaixo.
Leléo obrigada por sua amizade! Te amo muito mano! Deus te abençoe ricamente.



Um grande abraço.



"Quando o sofrimento bater à sua porta


Sofremos demais por aquilo que é de menos

Sofrer é como experimentar as inadequações da vida. Elas estão por toda parte. São geradas pelas nossas escolhas, mas também pelos condicionamentos dos quais somos vítimas.
Sofrimento é destino inevitável, porque é fruto do processo que nos torna humanos. O grande desafio é saber identificar o sofrimento que vale a pena ser sofrido.
Perdemos boa parte da vida com sofrimentos desnecessários, resultados de nossos desajustes, precariedades e falta de sabedoria. São os sofrimentos que nascem de nossa acomodação, quando, por força do hábito, nos acostumamos com o que temos de pior em nós mesmos.
Perdemos a oportunidade de saborear a vida só porque não aprendemos a ciência de administrar os problemas que nos afetam. Invertemos a ordem e a importância das coisas. Sofremos demais por aquilo que é de menos. E sofremos de menos por aquilo que seria realmente importante sofrer um pouco mais.
Sofrer é o mesmo que purificar. Só conhecemos verdadeiramente a essência das coisas à medida que as purificamos. O mesmo acontece na nossa vida. Nossos valores mais essenciais só serão conhecidos por nós mesmos se os submetermos ao processo da purificação.
Talvez, assim, descubramos um jeito de reconhecer as realidades que são essenciais em nossa vida. É só desvendarmos e elencarmos os maiores sofrimentos que já enfrentamos e quais foram os frutos que deles nasceram. Nossos maiores sofrimentos, os mais agudos. Por isso se transformam em valores.
O sofrimento parece conferir um selo de qualidade à vida, porque tem o dom de revesti-la de sacralidade, de retirá-la do comum e elevá-la à condição de sacrifício.
Sacrifício e sofrimento são faces de uma mesma realidade. O sofrimento pode ser também reconhecido como sacrifício, e sacrificar é ato de retirar do lugar comum, tornar sagrado, fazer santo. Essa é a mística cristã a respeito do sofrimento humano. Não há nada nesta vida, por mais trágico que possa nos parecer, que não esteja prenhe de motivos e ensinamentos que nos tornarão melhores. Tudo depende da lente que usamos para enxergar o que nos acontece. Tudo depende do que deixaremos demorar em nós. (...)"

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A Apple de Springfield



Os Simpsons não perdoaram nem a Apple! Durante um episódio exibido da 20ª temporada, a “maçanzinha” mais famosa do mundo foi abordada metaforicamente através dos comentários irônicos dos personagens.

Dentro da loja, Homer se surpreende com a "Mycube" --em referência à loja em formato de cubo de vidro--, enquanto Lisa desiste de comprar fones de ouvido, que são vendidos por US$ 40 (R$ 94) no desenho animado.
"Não posso comprar nenhum desses produtos, mas posso comprar fones brancos falsos para que pensem que tenho um Mypod?", pergunta a filha de Homer.
Em outro momento, Bart imita a voz de Steve Mobbs -em referência ao fundador da Apple, Steve Jobs- zombando dos clientes da marca.
"Vocês pensam que são 'cool' porque compram um telefone de US$ 500 com uma imagem de uma fruta. Adivinhem o quê? Sua fabricação custa US$ 8 e mijo em cada um deles", diz Bart antes de ser perseguido pelos funcionários da loja.
” (Folha online)



Quando li essa reportagem no site da uol , tive a impressão que os personagens do seriado falavam a mesma lingua de Carlos Drummond de Andrade em seu poema Eu, etiqueta. Gosto tanto desse poema que até havia publicado anteriormente nesse blog, mas vale a pena ler um pedacinho dele aqui de novo.


"Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação."

Trecho de "Eu, Etiqueta" - Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Lindo!!! Ilustrações....

Abaixo está apenas uma amostra do trabalho de Yoko Tanaka. Cada ilustação mais fofa do que a outra. Lembra o cenário do "Samorost" aquele jogo legal. Adorei. http://www.yokotanaka.com/



























Fofo né...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

QUINTÃO(Tom Cavalcanti)

O vídeo abraixo, além de cômico, leva a refletir até que ponto os candidatos podem ir para conquistar a opinião pública. As campanhas para eleição em Belo Horizonte viraram uma baixaria, uma palhaçada! De um lado, o discurso alienado de Leonardo Quintão e suas encenações patéticas que fazem de suas propagandas políticas um verdadeiro circo, do outro, a arrogância de Marcio Lacerda e seus “apoiadores”. Vale a pena lembrar que Tom Cavalcanti, o nosso “voluntário” do vídeo, é da terrinha de Ciro Gomes, e advinha quem trabalhou com Ciro Gomes? Adivinhou né?! É isso aí, hoje em dia os candidatos apelam para os artifícios que contribuem para a formação da opinião pública e não suas propostas de governo.





sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O papel social dos veículos de comunicação

Ultimamente não ando muito a fim de assistir jornal. A gente liga a televisão e só o que se fala é o tal seqüestro da garota de Santo André-SP. Lembro-me do caso Isabella Nardoni. É incrível como este crime atraiu os olhos da sociedade através da mídia. Aliás não só atraiu e informou como manipulou também. Foi o caso da entrevista ao pai e à madrasta da menina transmitida pela Rede Globo, assim também como a da participação do avô paterno de Isabella no programa da Luciana Gimenez etc. Além de resultar num ibope astronômico, estes quadros também começaram a dividir opiniões na época. Este controle social por meio dos veículos de comunicação é inevitável. Existe uma credibilidade na mídia que é indiscutível, basta reparar num campo de futebol em dia de jogo, a pessoa fica ali com o radinho colado no ouvido para escutar a narração da partida, mesmo vendo tudo ali acontecendo ao vivo e a cores no gramado.

Quando assisti ao filme “Mera Coincidência” do diretor Barry Levinson, vi um exemplo claro de como os meios de comunicação têm o poder de exercer controle social que, no caso do filme, ocorre graças às idéias ousadas do relações públicas do governo norte-americano, interpretado por Robert de Niro. Mera Coincidência é uma comédia, mas deixa uma impressão que consiste segundo Fabio Bense, numa “crítica corrosiva o processo de manipulação da opinião pública pelas imagens exibidas pela televisão”. Vi este filme logo quando entrei na faculdade. Na época, senti um misto de admiração e desprezo pela mídia. Isso porque é inevitável não sentir nojo ao ver pessoas sendo manipuladas por aquilo que assistem na TV, mas ao mesmo tempo é impossível não ficar boquiaberta ao perceber a tamanha proporção de ações geradas a partir da comunicação. Mas entre essa relação de amor e ódio existe uma diferença latente: cultura e informação.

Assim como a TV, diversos veículos de comunicação vêm cumprindo a sua função social de informar e formar opinião. Com a emergência de novas mídias e canais de comunicação, as pessoas hoje opinam, indagam e criticam mais, a partir de novas percepções que elas obtêm após a leitura de determinadas mensagens. Hoje mesmo, estava lendo sobre a repercussão a respeito de um texto que um colunista da revista Trip publicou no site em setembro. O autor, Henrique Goldman, publica um texto citando a relação sexual que teve aos 14 anos com a empregada da família “contra a vontade dela”. Quero deixar bem claro que não li o texto tão polêmico que Goldman escreveu. Portanto, não quero deixar minhas impressões a respeito de algo cujo o conteúdo desconheço e que não desperta minha curiosidade nem um pouco, apesar de que está para nascer alguém que me convença que o ato de estuprar é diferente de ter relação sexual com alguém sem que este permita. Mas isso não vem ao caso. O que realmente me chamou atenção foi a manifestação dos leitores. Torno a dizer que não me importa o conteúdo, mas sim, a função social que os veículos de comunicação exercem para que as pessoas expressem sua opinião.

O site da revista foi bombardeado por mensagens de leitores indignados com tal publicação. A revista, por sua vez, demorou dias para se defender, mas publicou um esclarecimento de que se tratava de uma ficção. O bom disso tudo é que a sociedade não se cala mais diante de fatos como este, nem mesmo com o álibi da liberdade de expressão, e põe a “boca no trombone” usando o mesmo veículo utilizado por quem escreveu a mensagem.

Concordo plenamente com o Dr. Muniz Sodré, quando ele diz para a gente deixar a baixaria ser baixaria, o que é preciso mesmo é investir na EDUCAÇÃO, caso contrário o povo sempre calará a sua voz.


Bom final de semana!!!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"RP faz o quê?"


O vídeo abaixo é tudo de bom! Estudantes de RP da UNISO criaram este vídeo que explica a profissão de Relações Públicas de uma forma clara, objetiva e bem humorada. Vale a pena assistir.



21 de Outubro: Dia nacional contra baixaria na TV

terça-feira, 14 de outubro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

“Divisão de bens”


Aconteceu no Camboja. Um casal em litígio resolveu dividir a casa que em que habitava ao meio. De acordo com o portal UOL, onde a foto da casa foi publicada, essa iniciativa teve o objetivo de evitar problemas com o processo de divórcio. Será?!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

KUNSTBAR




Animação em flash que permite uma divertida leitura para aqueles que gostam de arte. Trata-se de um bar cujo os freqüentadores são “figuras” que nos remetem às obras dos mais renomados artistas da historia da arte como Miro, Edvard Munch, Pollock etc. O menu do bar das artes é fantástico e oferece “drinks” para todos os gostos.





Criada por Petrie Lounge, essa animação teve até destaque na revista Superinteressante, por Leandro Sarmatz, na edição nº 175:


“(...) Está vendo aquele rapaz ali? É o cara angustiado de O Grito, do norueguês Edvard Munch. E aquelas moças estranhamente sexy? São as multifacetadas Demoiselles d’Avignon, do espanhol Pablo Picasso.


Esculturas de De Chirico, drinques com sugestivos nomes como Marc Chagall, Yves Tanguy e Jackson Pollock compõem o ambiente que brinca com a linguagem artística. Essa maluquice saudavelmente divertida e instrutiva pode ser desfrutada no Kunstbar (bar das artes), animação em flash de Petrie Lounge, grupo de artistas do mundo virtual.”

Vale a pena conferir: http://www.whitehouseanimationinc.com/kunstbar.htm


Bom final de semana!!!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Cursos de atualização

A FUNDEP está ofertando cursos de atualização em comunicação tendo como público alvo profissionais área, professores, recém-formados e afins.

Os interessados devem efetuar a matrícula até 08/10/2008. 4181Para maiores informações, acesse http://www.fundep.br/cursos/mostracurso.asp?curso=.

Vale a pena informar que além destes, existem vários cursos de atualização em diferentes áreas que a FUNDEP está oferecendo. Confira: http://www.fundep.br/cursos/.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A cultura Kitsch




O Kitsch possui um significado extremamente vago, podendo ser compreendido como um fenômeno social, já que está ligado ao comportamento de um indivíduo na sociedade em relação ao consumo e à própria relação que o homem tem com as coisas.
Antes da Revolução Industrial já havia um processo de ascensão social em certas camadas da população. Sabe-se que só há procura de um determinado tipo de objeto em função de um fenômeno de mobilidade social. A proliferação de objetos é que vai determinar essa categoria cultural chamada Kitsch.
Com a industrialização, a atividade produtiva do homem foi dinamizada possibilitando a serialização. Dessa forma, a obra de um artista famoso, acessível apenas à “nata” da população, tem o seu efeito copiado em inúmeras replicas no mercado. É nisso que o Kitsch se baseia: na idéia de “ter é ser”, mesmo que o individuo se cerque de objetos baratos, mas que sempre apelam para a idéia de encantamento e boa impressão para quem os consome.
O Kitsch veio para ficar. Desde que esse fenômeno começou, ele só floresce e não tem fim. Este fato é explicado pela atual sociedade cancerosa em relação ao consumo, determinada pelo fascínio que o homem tem com as coisas. Consumir, segundo Abraham A. Moles, é a alegria da massa. Devido ao processo de industrialização, certos objetos vão se tornando cada vez mais populares, existindo portanto, um numero exagerado de pessoas que podem adquirir o Kitsch, pois este tem sempre um valor pobre derivado de algo que o homem quis imitar, e é por isso que ele se multiplica.
O comportamento Kitsch está ligado à falsa erudição. É um fenômeno que imita matérias, o ouro sendo imitado por uma tinta dourada, por exemplo, repetindo assim as características de determinados objetos sem compreender o valor deles. Outro exemplo é a poesia: ela pode emocionar as pessoas por causa da significação das palavras, já o Kitsch só quer copiar o efeito, tornando-se a deturpação do artístico em favor do consumo. Porém, observa-se que ao tentar copiar aquilo que é refinado, o Kitsch acaba revalorizando o objeto raro.
Esse prazer que o Kitsch proporciona não é derivado do “feio” e nem do “belo”, está ligado à questão de ser distintizado. Ou seja, o que é “coisa” adquirie dignidade para ser consumido. Por exemplo: uma simples pedra é uma coisa, mas ao ser lapidado nos moldes da Estátua da Liberdade, tem-se origem a um objeto que gera no consumidor distinção social, mesmo que seja um mero “bibelô” em cima do móvel.
Um exemplo seria a promoção lançada pela revista “Caras” sobre a coleção de xícaras com motivo das sete maravilhas do mundo, o que não passa de um apelo “cultural” e estético.






Renata Marques

Muniz Sodré e a cultura do sentir


Vivemos a era da cultura do sensível, em oposição ao paradigma anterior, que era a cultura da representação, afirmou o jornalista, escritor e professor da UFRJ Muniz Sodré, ao participar em 3 de setembro de 2004 de um Evento Especial no Salão de Atos da PUCRS (Porto Alegre), durante o 27º Congresso da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). A seguir, algumas das principais idéias expostas por Muniz no encontro e numa mini-coletiva posterior:

Chico Buarque - Chico é uma das pessoas mais discretas e talentosas que esse país tem. E tem horror a ser imagem pública. Ele teve desavenças com a TV Globo, não queria aparecer, não gosta de ser alvo de atenções. Mas ele não é dono de sua imagem, a imagem de quem quer que seja é social. Por isso, quando passeia no Leblon e passa por uma fila, é natural que as moças o olhem, achando-o bonito, e os homens o refiram como talentoso.

Espetáculo - Dificilmente se encontra o conflito como tensão social no espetáculo, por isso o consideramos tão sedutor. Essa palavra vem do latim espectaculum, conceito que inclui cena e público juntos. Eles não eram pensados como coisas separadas, o que volta a ocorrer com força hoje. Não há como separar a TV do seu público, como alguns pensam ser possível. A grande lei social é a da imitação. As crianças sempre imitaram os mais velhos, e também sempre tiveram horror a serem imitadas pelas outras crianças. Hoje tendemos a imitar os modelos que vemos na televisão. A TV que assistimos é lixo cultural reciclado.

Esvaziamento político do espaço público - Durante séculos, a religião colocava a esperança de uma vida melhor para a humanidade apenas no Paraíso, após a morte. No século XIX, essa esperança passou a ser canalizada para a atuação política: era possível os homens se mobilizarem e construírem um mundo melhor aqui mesmo. Continuava no ar, porém, uma idéia de espera. Hoje, a mídia apresenta um discurso de levar o melhor para dentro da casa de todos, aqui e agora. Isso leva a um esvaziamento político do espaço público. Nos comícios, ninguém se interessa mais pelo discurso do político, e sim pelo artista que vai cantar.

Música - A música não significa nada. São sons. O que quer dizer (uma sinfonia de Ludwig van) Beethoven? Dessa ausência de referência a assuntos externos a ela vem a grande força da música.

O axé da voz do Papa - Forma e conteúdo estão se dissociando cada vez mais fortemente. Isso por si só não é negativo, mas é um dado a considerar. As letras das músicas do Djavan não fazem sentido. Outro exemplo: nos concertos de rock, o jovem se interessa em ir, ver o artista, paquerar as meninas... Todos cantam juntos, mesmo que a letra seja em inglês e ninguém entenda nada. É a questão do estar junto que prevalece. Mais um exemplo: quando o papa João Paulo II esteve no México (em 1979), os camponeses pediram que ele discursasse; ele não aceitou, porque não havia preparado nada em espanhol. Mas eles responderam que poderia ser em polonês mesmo - não havia um interesse NO QUE o papa iria dizer, e sim em estar OUVINDO a voz do papa. Nas culturas afro, essa é a base do conceito do axé, o contato. Os camponeses queriam o axé da voz do papa.

Venda da virgindade - As pesquisas mostram que a audiência dos programas de auditório não varia conforme o assunto tratado (conteúdo). Quem vê o programa da Luciana Gimenez (Superpop, na Rede TV!) se liga na apresentadora bonita (forma). Outro dia, vi um programa dela em que uma moça vendia a virgindade por 100 mil reais. Várias senhoras telefonaram reclamando, pasmem, que a moça estava se supervalorizando, diziam: "Quem ela acha que é?". Ninguém questionou o gesto em si, o que talvez acontecesse se o valor fosse uns 5 mil. Eu esperei um escândalo, e o único escandalizado fui eu, pela falta de escândalo do público.

Baixaria - Não acho que ficar fazendo campanha contra a baixaria na TV resolva alguma coisa. Deixa a baixaria ser baixaria! O que precisamos é investir em educação.

Escola do futuro - A educação daqui para frente precisa garantir quatro tipos de aprendizado para seus alunos: 1º, que eles aprendam a aprender (deixar a mente aberta); 2º, aprendam a fazer (técnica pode não ser o essencial, mas tem relevância); 3º, aprendam a estar junto (cada vez mais vivemos isolados); 4º, aprendam a aceitar (não basta dizer que respeita o diferente). Aquele que, sendo branco, se diz contra o racismo mas evita a todo o custo a convivência com pessoas negras não está realmente aceitando o diferente.

Racismo - No Brasil, temos essa uma coisa curiosa: temos grande parte da população negra, mas isso não aparece na representação. Basta lembrar o que se comentou quando Taís Araújo estrelou Da Cor do Pecado (TV Globo), quando se ressaltou que pela primeira vez uma atriz negra protagonizava uma telenovela (OBS: a verdadeira primeira vez foi em 1995, com Xica da Silva, na TV Manchete, também com Taís Araújo. O SBT reapresentou esta novela em 2005). Nos Estados Unidos isso é normal. Você vai fazer um filme, uma peça que apareça o presidente dos Estados Unidos, o papel pode muito bem ser feito por um negro. Por que não? Aqui, se uma peça tiver aparição do presidente, o papel irá para um branco, sob alegação de que "não tivemos nenhum presidente negro". Mas se o teatro é um espaço da imaginação, por que logo nisso você precisa ser naturalista? Quanto a não ter presidente negro, também não é verdade: Nilo Peçanha (presidente de 1909 a 1910) era negro. As fotografias eram retocadas para que isso não fosse percebido.


Por Fabio Gomes

terça-feira, 30 de setembro de 2008

A comunicação e a opinião pública


O mundo é totalmente permeado pela comunicação; em qualquer lugar e a todo o momento, a convivência entre as pessoas é balizada pela utilização de símbolos. O homem é, por natureza, um ser que comunica. A informação é uma necessidade do ser humano. A comunicação antigamente poderia não ser tão relevante quanto hoje, considerando que as pessoas tinham que aprender a manipular uma foice, ou um machado para progredirem. Entretanto, nos dias de hoje ela é essencial, a informação tornou-se “uma urgência primordial”, como afirma Souza(1996, p. 179). O homem moderno, em sua plenitude, é aquele que está sempre bem informado e atualizado permanentemente.

Baseado nesta premissa, Guareschi et al(2001) acreditam que a realidade é construída pela comunicação:

(...) na linguagem do dia-a-dia já se podem ouvir frases como estas: ‘Já acabou a greve? ’ e se alguém pergunta por que, a resposta é: ‘Deve ter acabado, pois o jornal não diz mais nada... ’ A conclusão a que chegamos é a de que uma coisa existe, ou deixa de existir na medida em que é comunicada, veiculada (Guareschi et al, 2001, p.14).

A percepção dessa realidade ocorre através dos meios de comunicação que, para esses mesmos autores, representam instrumentos técnicos de liderança, por serem usados por formuladores de teorias que visam realização profissional e reconhecimento:

(...) isso ajuda a compreender porque a visão de mundo platônica é difícil de imaginar e impossível de reproduzir hoje em dia: dedicar-se ao conhecimento sem pretender objetivos práticos ou prestígio social nos soa tão absurdo quanto disputar olimpíadas sem adversários ou platéias; ter religião sem liturgia ou fiéis. (Guareschi et al, 2001, p.15)

Dessa maneira, aquele que tem a palavra detém o poder da formação da opinião pública. Isto é, controla a opinião da “imensa pasta humana conformada por mensagens ditadas pelo poder”, completa Lage(1998, p. 15), que faz uma analogia, para designar o que é a massa.

As eleições são um exemplo da importância dos meios de comunicação junto à opinião pública. Grande parte dos candidatos que estavam ligados a algum meio de comunicação como televisão ou rádio, foram eleitos, afirma Lage(1998). Apenas 5 a 10% dos candidatos que não eram comunicadores se elegiam. Tal fenômeno é facilmente explicado em uma sociedade silenciosa como a do povo brasileiro, num país onde a desigualdade social impera e poucos possuem oportunidade de dizer o que pensam e ser ouvidos. “Apenas alguns têm voz e vez, o simples fato de ter um nome conhecido já é critério suficiente para que a pessoa mereça fé e se torne merecedora de voto” LAGE(1998, p. 101).

Segundo Guaresch et al.(2001, p. 15), “o crescimento e a abrangência dos meios de comunicação e informação estão, claramente, desbancando e relativando o controle exercido por outras instituições, como a escola, as igrejas, a família etc.”. Sob a ótica de Champagne(1981), estas instituições formam um julgamento coletivo, porém, está sendo depauperado pela influência exercida através dos meios de comunicação que, por sua vez, são formadores de opinião.

Sendo assim, novos julgamentos ou pontos-de-vista são formados. “A comunicação está forjando os novos professores, os novos sábios, os novos mestres da verdade e da moralidade” (Guaresch et al, 2001, p.15).

Após a Segunda Guerra Mundial, a difusão maciça das mensagens passou a ser chamada pelo termo mass media. Souza (1996, p. 6) explica que este neologismo significa, de acordo com sua origem anglolatina, meios de massa e que, por serem destinados a um público amplo, fazem com que a informação tome proporções enormes.

De acordo com Souza (1996), os meios de comunicação de massa, representados pelo jornal, a revista, o rádio, a televisão etc., despersonalizam a mensagem e contribui para a uniformização da cultura e para o nivelamento das pessoas.


Renata Marques

(...) pela onda luminosa, leva o tempo de um raio(...)


PARABOLICAMARÁ



Antes mundo era pequeno

Porque Terra era grande

Hoje mundo é muito grande

Porque Terra é pequena

Do tamanho da antena parabolicamará

Ê, volta do mundo, camará

Ê ê, mundo dá volta, camará

Antes longe era distante

Perto, só quando dava

Quando muito, ali defronte

E o horizonte acabava

Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará

Ê, volta do mundo, camará

Ê ê, mundo dá volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro leva uma encarnação

Pela onda luminosa

Leva o tempo de um raio

Tempo que levava Rosa

Pra aprumar o balaio

Quando sentia que o balaio ia escorregar

Ê, volta do mundo, camará

Ê ê, mundo dá volta, camará

Esse tempo nunca passa

Não é de ontem nem de hoje

Mora no som da cabaça

Nem tá preso nem foge

No instante que tange o berimbau, meu camará

Ê, volta do mundo, camará

Ê ê, mundo dá volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro leva uma encarnação

De avião, o tempo de uma saudade

Esse tempo não tem rédea

Vem nas asas do vento

O momento da tragédia Chico, Ferreira e Bento

Só souberam na hora do destino apresentar

Ê, volta do mundo, camará

Ê ê, mundo dá volta, camará


Gilberto Gil

EU ETIQUETA


Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade